O projeto para o Plano-piloto e o pensamento de Lúcio Costa
Francisco Lauande
“Não se chega a uma idéia de cidade a partir de uma idéia de
espaço: ao contrário a busca de categorias fundamentais das funções da vida
social. É, portanto, o processo metódico que leva à definição do espaço e, por
conseqüência, da arquitetura”. (G. C. Argan “Clássico Anticlássico”)
Este ano comemora-se o cinqüentenário da realização do concurso
internacional que escolheu o projeto para a nova capital, de autoria de Lúcio
Costa – um dos personagens cimeiros de nossa história, no último século. O seu
legado ganha merecida relevância quando estudamos a fundo o conjunto de sua
obra vitruviana,
que somado aos seus escritos formam um conjunto de aul
as – implícitas ou explícitas – que ensinam ao arquiteto que ao
conceber uma Arquitetura,
deve-se, antes de mais nada, comportar-se como pensador. Lúcio Costa deveria
ser considerado por todos – incluindo os das gerações vindouras – como um ícone
primordial de nossa arquitetura, cuja maior lição transmitida é a de ter
colaborado para validar o conceito de que a formação do arquiteto só pode ser completa
quando for oriunda do cerne de um profundo conhecimento técnico e da própria
cultura tanto quanto a de outros povos, como será demonstrado mais adiante. A
sua maior herança é, portanto, o seu pensamento.
O projeto do Plano-piloto, como não poderia deixar de ser, é o
mais escrutinado da trajetória de Lúcio Costa, não só pelo tamanho e função,
outrossim, por ser a síntese de sua vivência na práxis. Quando ele diz que a
proposta enviada para o concurso internacional de projetos para a construção da
nova capital, foi, na realidade, uma maneira de desvencilhar-se
de uma idéia, em verdade, é o resumo de um conhecimento acumulado,
representado por croquis e
traduzido em texto, assim como, o ponto de convergência do pensamento
urbanístico de uma época, concebido com um alto grau tanto de temporalidade
social como individual. Com efeito, ele só poderá ser entendido se esse fato
for devidamente relevado. Na arquitetura, como no fenômeno de
Kant, o objeto nunca está dissociado dos fatores: tempo e espaço:
“pode-se definir arquitetura como construção concebida com a
intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma
determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um
determinado programa” (1).
Uma cidade é fruto (sempre) de um processo econômico e social e,
por conseguinte, nasce, de uma vontade política, afastando qualquer
possibilidade de que ela seja conseqüência de um fato que acontece de forma
casual. Na transição de um capitalismo concernente ao comércio para um
capitalismo industrial, surgiram áreas urbanas cuja vida social distanciaria,
gradativamente, o homem do campo. Nelas, tornava-se comum o surgimento de
bairros eminentemente residenciais, tanto para os proletários quanto para as
classes mais abastadas, que detinham os meios de produção.
As condições das moradias da classe operária, em uma realidade
cada vez mais urbana, levaram a uma discussão sobre o planejamento de uma cidade
ideal, considerando esse novo ambiente econômico e social. Surgiu
então, o que se pode ser denominado como um pré-urbanismo cuja pesquisa
resultaria em conceitos e, mais tarde, projetos utópicos para novas
cidades. As concentrações urbanas passaram a ser objeto de estudo por
profissionais de outras áreas, como, por exemplo, os da médica. O urbanismo
transformou-se em tema de discussão entre os arquitetos em um segundo momento.
Na visão wrightiana,
por exemplo, apregoava-se uma cidade predominantemente horizontal e bucólica,
onde as pessoas viveriam em residências cercadas por jardins. As praças que
antes eram espaços de encontro, a partir do capitalismo industrial, passam a
ser, como nos ensina Sennett na obra O
declínio do homem público (2), locais, primordialmente, de passagem.
Parques foram criados para proporcionar melhor qualidade de vida – um pedaço do
campo nas cidades ou o pulmão das
cidades. O urbanismo, com efeito, nasce como área do conhecimento, sobretudo,
calcado em uma necessidade de caráter profilático.
“naquele lugar [América do Norte], emergiu uma nova civilização, a
qual era fortemente ligada à cultura rural – e por isso não particularmente
interessada em fazer cidades e em dar especial atenção à vida urbana. Por outro
lado, seria totalmente errôneo tomar a civilização americana como meramente
rural. Sendo rural e urbana ao mesmo tempo, ela combina e integra aspectos
tradicionais e modernos desde o primeiro momento. Os colonizadores, seguindo o
ideal do ‘homem comum’, criaram o que eu chamo de ‘paisagem republicana’, uma
paisagem que não é rural nem urbana, mas ambas simultaneamente – uma paisagem
híbrida de proveniência americana. A versão radical da Broad-Acre-City de
Frank Lloyd Wright é um exemplo perfeito de uma paisagem republicana americana.
Ela apresenta uma paisagem rural-urbana ortogonalmente estruturada – um espaço
sem nenhum centro” (3).
Quando Lúcio Costa disse, certa vez, que o bom urbanista deveria
ser aquele que coloca um pouco da cidade no campo e um pouco do campo na
cidade, ele estava, na realidade, apropriando-se do pensamento de Soria
(criador da Cidade – linear): ”Realizar la vida urbana; urbanizar el campo”.
Tal fato comprova a tese defendida por Carpintero (4) de que o projeto para o
Plano–piloto é simbiótico,
ao procurar fundir pensamentos urbanísticos de um período, como os da Cidade –
linear, Cidade – jardim e alguns dos princípios da Carta de Atenas.
Para o entendimento da divisão da cidade em duas escalas –
Residencial e Monumental – deve-se entender, inicialmente, o conceito de
escala: o resultado da comparação, considerando a questão dimensional, entre
dois objetos. Em segundo lugar, entender que os eixos estruturadores do
Plano-piloto – um para cada escala – foram implantados de forma a proporcionar
uma relação entre elas e, como conseqüência, reforçar os seus conceitos
morfológicos.
O eixo residencial representa o homem no nível individual de sua
existência, onde ele possa viver com boa qualidade, possibilitando-o de
usufruir, na forma plena, dos momentos de descanso e do convívio social mais
íntimo. As superquadras foram implantadas no sentido da curvatura das curvas de
nível, com o gabarito máximo de seis pavimentos, permitindo que as copas das
árvores e as coberturas dos edifícios estivessem, invariavelmente, em uma
altura relativamente próxima umas das outras. A superquadra é uma das faces
humanas da cidade as quais os críticos mais contumazes, por uma
capacidade limitada ao intransitivo, não conseguem vislumbrar.
Já o eixo da chamada escala monumental, que abriga os marcos e os
principais edifícios institucionais é a espinha do dorsal da malha e representa
a dimensão coletiva – sabiamente implantado perpendicularmente às curvas de
nível. Na extremidade leste do Eixo Monumental, está a Praça dos Três Poderes,
contrariando o posicionamento mais central das praças, em outras cidades. Uma
das hipóteses para a escolha da sua localização é a preocupação com a
segurança. Sem embargo, a morfologia denuncia, como sendo a preponderante, a
expressão simbólica desejada por Lúcio Costa. Ela está face a face com o
cerrado ou, em suas próprias palavras: a
mão de um braço(sic), que toca o coração do
país A Praça dos Três Poderes é a continuidade da área urbanizada, sem
incorporar o papel de um elemento estruturador - os cidadãos têm como palcos da
vida social pública os outros centros da
cidade: o Setor Comercial Sul e a Plataforma Rodoviária – a convergência dos
eixos.
“a máquina é o ídolo da segunda fase, ‘madura’ da
industrialização. Este período, também chamado de ‘fordista’ é fundamentado em:
Ciência: baseou-se na produção em massa (‘grandes séries’) [...] o fordismo
planejava a cidade social. A máquina, isto é, o uso da ciência e da tecnologia,
era considerado o melhor meio de pôr em prática esta idéia. Enquanto objetivava
uma visão urbana de alto desempenho retratando eficiência, velocidade e
especialização espacial, a produção espacial fordista não estava interessada
nem em centros urbanos como na centralização como uma estratégia de
desenvolvimento urbano. [...] a cidade fordista se manifestava fundamentalmente
como uma antítese da cidade medieval com a sua funcionalmente e altamente
integrada centralidade cívica” (5).
No que diz respeito à temporalidade social, deve-se considerar
ainda que a construção de Brasília é o resultado de um processo de ocupação do
interior do Brasil, anterior ao desencadeado no período
JK. A vontade de mudar a capital é antiga e foi formalizada pela
constituição outorgada de 1891. Esse deslocamento para o oeste significaria a
quebra de uma inércia relativa à ocupação portuguesa próxima ao litoral –
mentalidade bem diferente da dos colonizadores de Castela, na outra metade da
América do Sul, como nos foi demonstrado no livro de Sérgio Buarque de Holanda: Raízes
do Brasil (6).
O projeto de integração do país por intermédio de rodovias
apressou a construção de uma nova capital e, como bem se sabe, a mentalidade
desenvolvimentista era a principal característica do período JK cujo
carro-chefe era a indústria automobilística. Para Lúcio Costa a
industrialização significava a própria redenção da sociedade, levando-a criar,
de forma intencional, uma cidade que viria a privilegiar o deslocamento por
automóveis. Os dois trechos utilizados abaixo comprovam o envolvimento de Lúcio
Costa com o pensamento da época.
“Quando não desvirtuado pelos artifícios e equívocos da propaganda
comercial e da especulação ideológica, o desenvolvimento científico e
tecnológico, além de libertar o homem da fome e da indigência, cria condições
capazes de livrá-lo igualmente da vulgaridade e da sofisticação, esses dois
extremos que é levado pelas contingências da falsa hierarquia social, e de o
reconduzir àquela vida autêntica, simples, densa e natural, sensível e
inteligente, digna verdadeiramente da sua condição. Por onde se comprova ser a
industrialização intensiva a base mesma de um novo humanismo” (7).
“Brasília não é um gesto gratuito da vaidade pessoal ou política,
à moda da Renascença, mas o coroamento de um esforço coletivo em vista ao
desenvolvimento nacional – siderurgia, petróleo, barragens, auto-estradas,
indústria automobilística, construção naval; corresponde assim à chave de uma
abóbada e, pela singularidade da sua concepção urbanística e de sua expressão
arquitetônica, testemunha a maturidade intelectual do povo que a concebeu, povo
então empenhado na construção de um novo Brasil, voltado para o futuro e já
senhor do seu destino” (8).
Um dos princípios da Carta
de Atenas apropriados por Lúcio Costa, foi o da eliminação dos
cruzamentos de vias, graças à utilização de mudanças de nível. Objetivou-se,
com esse recurso, facilitar o trânsito de veículos, evitando o desgaste da
máquina com excesso de paradas. É possível percorrer todo o Plano-piloto sem
nenhum cruzamento de vias em função da tensão (9)
de sua malha. O Eixão,
que corta a cidade de ponta a ponta, dividindo a área residencial no sentido
transversal, além de ser uma das avenidas principais da cidade, é uma rodovia
federal.
Brasília é utilizado por Sennett, para mostrar como o privilégio
dado ao automóvel, desvirtuou a função das ruas que deixaram de servir como
local de permanência e encontro, como acontece nas cidades tradicionais. O
homem que, agora, mora em um lugar urbano e bucólico ao mesmo tempo,
encontra-se colocado face a face com a ameaça de viver de forma oculta – fato
que nos mostra uma face menos
humana da cidade. Da Carta
de Atenas, empresto este trecho, para mostrar a atenção dada à circulação
de veículos, pelo pensamento corbusiano:
“os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de
paradas obrigatórias a cada cruzamento, que torna inutilmente lento seu
percurso. Mudanças de nível, em cada via transversal, são o melhor meio de
assegurar-lhes uma marcha contínua. Nas grandes vias de circulação e a
distância calculadas para obter o melhor rendimento, serão estabelecidas
interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda” (10).
Quanto à temporalidade individual, a idéia de Lúcio Costa pode, da
mesma forma, ser considerada como uma simbiose de
aspectos formais de teorias urbanísticas, mas desta feita, com as
reminiscências do arquiteto oriundas de sua vivência, por exemplo, na Europa, e
das viagens pelas cidades mineiras. São elas – consciente ou inconscientemente
– também responsáveis pela expressividade alcançada pelo seu projeto e que
acabou sendo um dos diferenciais em relação aos concorrentes, segundo o parecer
do júri do concurso. Diferentemente das outras idéias, a de Costa propunha que
a nova capital deveria, em sua morfologia, conformar-se à paisagem – a
horizontalidade e a topografia deveriam ser seus elementos compositivos –
cidade e a paisagem natural fundiriam-se como resultado de um magnífico
entendimento do genius
loci (11). Estética e função confundem-se, dando ao projeto um caráter
ético. O fato de que o mundo, não o quantificado, mas sim, o percebido é
considerado perfeito por causa da interação de seus elementos de uma forma
dinâmica e harmoniosa, torna a busca pelo belo na obra arquitetônica uma
atitude tanto imperativa quanto ética, para o arquiteto. Sobre as referências
utilizadas na concepção do projeto para o Plano-piloto Lúcio Costa enumerou:
“1º – Conquanto criação original, nativa, brasileira, Brasília –
com seus eixos, suas perspectivas, sua ordenance – é de filiação intelectual
francesa. Inconsciente embora, a lembrança amorosa de Paris esteve sempre
presente.
2º – Os imensos gramados ingleses, os lawns da minha meninice – é
daí que os verdes de Brasília provêm.
3º – A pureza da distante Diamantina dos anos 20 marcou-me para
sempre.
4º – O fato de ter então tomado conhecimento das fabulosas
fotografias da China de começo do século (+- 1900 – terraplenos, arrimos,
pavilhões com desenhos de implantação – contidas em dois volumes de um alemão
cujo nome esqueci).
5º – A circunstância de ter sido convidado a participar com minhas
filhas, dos festejos comemorativos da Parson School of Design de Nova York e de
poder então percorrer de “Grayhound” as auto-estradas e os belos
viadutos-padrão de travessia nos arredores da cidade” (12).
A característica antropofágica dos movimentos culturais no Brasil,
como a Semana de Arte de 1922 e o Tropicalismo (década de 60), não nos difere
tanto de outros povos, pois só há duas formas de duas regiões se relacionarem:
o comércio e, por esse, como conseqüência, a cultura. Todos os povos receberam
ou recebem alguma influência externa, em algum momento de sua história. Sem
embargo, o Brasil tradicionalmente, pelo menos nos períodos citados, soube
buscar e incorporar influências culturais externas de forma responsável,
criativa e sem preconceitos.
“estar desarmado de preconceitos e tabus urbanísticos e imbuído da
dignidade implícita do programa: inventar a capital definitiva do país” (13).
Por intermédio da síntese das teorias do pensamento moderno sobre
o urbanismo, somada ao repertório de experiências urbanas de Costa, como vimos
anteriormente, o projeto para o Plano-Piloto desmente o fato de que o caráter
simbólico não deveria fazer parte da cidade moderna. O Congresso Nacional é
colocado como elemento articulador entre a Praça dos três Poderes e o resto da
área urbanizada. Para o coroamento dos plenários, Costa utilizou um antigo
arquétipo: a mimetização do cosmos através da cúpula, que pode ser encontrada
no Panteão Romano, na Catedral de São Pedro, no vaticano ou na descrição de Plutarco
ao falar obre a fundação de Roma, por Rômulo (14). A morfologia juntamente com
o forte apelo simbólico transmitido pelas intenções volumétricas explicitadas,
particularmente, para os edifícios institucionais, são, certamente, a razão de
uma expressividade inelutável – tradutora da esperança que o arquiteto
compartilhava com seus contemporâneos, de um futuro melhor para o país que
viria após a construção da nova capital. Paolo Portoguesi, na obra “Depois
da arquitetura moderna”, explicita uma de suas divergências com o
pensamento moderno:
“na sua tendência para a simplificação, para a nudez, a
arquitetura moderna tirou à forma o seu valor simbólico e transferiu-o, ao
contrário, para a matéria” (15).
Brasília continua necessitando de um maior entendimento a começar,
pelo processo que desencadeou sua construção. Só assim, poderemos preservá-la
na forma devida; prepará-la para o futuro; e utilizar seus ensinamentos. A obra
completa de Lúcio Costa, portanto, deveria ser objeto de estudo constante. O
que ele nos deixou como legado está, na realidade, muito além de sua produção,
que estendida às suas reflexões, pode ser convertida em ensinamentos atemporais
com utilidade em qualquer lugar, onde o bem-estar do homem seja o principal
fim. Lúcio Costa foi Arquiteto:
tecnicista e humanista. Em 1985, ele avaliou assim, o Plano-piloto já
consolidado:
“O importante é que Brasília existe e foi concebida e consolidada
já na escala do Brasil definitivo. E para mim, como urbanista, importa o
seguinte:
1º a sua estrutura é original e tem ‘garra’;
2º a Praça dos Três Poderes, complementada pelos Ministérios do
Exterior e da Justiça na cabeceira da Esplanada dos Ministérios, se constitui,
desde o seu nascedouro, numa obra-prima de integração
arquitetônico-urbanística.
3º o conceito de superquadras como extensão residencial aberta ao
público, contraposição ao de ¨condomínio¨ como área fechada e privativa, foi
inovador e revelou-se válido e civilizado;
4º a plataforma-rodoviária já se consolidou e definiu como centro
de convergência do complexo urbano composto da cidade político-administrativa e
dos improvisados assentamentos satélites;
5º o programa das quadras econômicas agora implementado,
juntamente com o das agrovilas, evitará o espraiamento ¨suburbano¨ e,
conjugados, darão afinal à cidade não só o sentido e conteúdo social, como o
apoio rural contíguo, coisas que lhe estavam faltando” (16).
As superquadras são ocupadas de uma forma bem diferente da maneira
imaginada por Costa: pessoas de distintas classes sociais vivendo porta a
porta. O urbanismo, assim como as leis, é incapaz de eliminar determinados
vícios da vida social. Sem embargo, os equívocos estéticos são tradutores fiéis
das doenças que afligem a sociedade. O arquiteto é, também, umconstrutor de
símbolos, transmissores de valores convencionados pela sociedade cuja atividade
deve ter uma perspectiva direcionada para uma crítica comprometida com a
realidade de sua época. A sua relação, conflitante ou não, com o poder, como
conseqüência, torna-se fundamental tanto quanto inevitável.
“a cidade é a mais democrática possível. É um cacoete chamarem a
cidade de autoritária. Não tem justificativa. A cidade tem um espírito aberto.
Eu já disse que a Praça dos Três Poderes é a Versalhes do povo [...] é bom
sinal o urbanismo funcionar bem num governo de direita ou de esquerda. O bom
urbanismo está acima das ideologias. Pode ocorrer tanto num sistema político
autoritário quanto num liberal. Tudo depende dos profissionais responsáveis. Se
eles são submissos a caprichos políticos, então são irresponsáveis. O
verdadeiro urbanismo está acima da direita e da esquerda” (17).
notas
1
COSTA, Lúcio. Com a palavra, Lúcio Costa. Organização: Maria Elisa Costa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, p. 58.
2
SENNETT, Richard. O declínio do homem público. Tradução: Lygia Araújo Watanabe. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
3
HASSENPLUG, Dieter. Sobre centralidade urbana. Publicado no sitewww.vitruvius.com.br. Acesso em: 11 de Julho de 2007.
4
CARPINTERO, Antônio Carlos. Brasília: prática e teoria urbanística no Brasil, 1956-1998. Tese de Doutoramento. São Paulo, USP-FAU, 1998.
5
HASSENPLUG, Dieter. “Sobre centralidade urbana”. Arquitextos, n. 085. São Paulo, Portal Vitruvius, jun. 2007 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq085/arq085_00.asp>.
6
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2006.
7
COSTA, Lúcio. Op. cit, p. 25.
8
Idem, ibidem.
9
O grau de tensão de uma via é maior quanto menor for o número de cruzamentos dela com as demais.
10
LE CORBUSIER. A carta de Atenas. Tradução: Rebeca Sherer. São Paulo, Hucitec/Edusp, 1993, p. 98.
11
Termo que se refere à força do lugar e utilizado em CHING, Francis D. K.Forma, espaço e ordem. Tradução: Alvamar Helena Lamparelli. São Paulo, Martins Fontes, 1999.
12
COSTA, Lúcio. Op. cit, p. 93.
13
Idem, ibidem.
14
Informação retirada de CORNELL, Elias. A arquitetura da relação – cidade campo.
15
PORTOGUESI, Paolo. Depois da arquitetura moderna. Lisboa, Edições 70, 1985, p. 29.
16
Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 2, nº 15.
17
COSTA, Lúcio. Registro de uma vivência. São Paulo, Empresa das Artes, 1995, p. 5.
sobre o autor
Francisco Lauande é arquiteto. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de Brasília (1987). Tem curso de pós-graduação em Sistemas de Construção pela Universidade Metropolitana de Tóquio. Foi membro do Conselho Fiscal do IAB-DF e Diretor Cultural do IAB-DF. Foi o responsável pela organização da III Bienal de Arquitetura de Brasília (2001). Foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNIP, campus Brasília. É aluno do curso de mestrado em Teoria e História da Arquitetura, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (orientado pelo Professor Antônio Carlos Carpintero)